Lindas Mensagens

A inteligência que sabe da folha antes de cair

Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registrado no livro lúcido” (6ª Surata versículo 59)

Num tempo em que nos vangloriamos do saber humano, em que dados, algoritmos e inteligência artificial nos prometem prever o futuro com precisão matemática, é sempre bom lembrar: há um saber que transcende todos os saberes.

O versículo 59 da 6ª Surata do Alcorão nos conduz a essa realidade inabalável. Ali se lê:

“Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha sem que Ele disso tenha ciência…”

Essa imagem da folha que cai e já é sabida, já é contada, já é contemplada, é de uma poesia esmagadora. Ela nos lembra — com força e ternura ao mesmo tempo — que, por mais que tentemos controlar, prever, dominar, há um limite. E nesse limite começa o sagrado.

Ora, se Ele sabe o que há na terra e no mar, se não há um só grão, verde ou seco, fora de seu registro, então estamos diante de uma consciência absoluta. Um saber que não depende de método, de empiria, de estatística. Um saber que é. Um saber que sabe porque é próprio de sua essência saber.

O filósofo Spinoza dizia que Deus é causa de si mesmo, o que, em termos filosóficos, quer dizer: Ele é sua própria razão de ser. Da mesma forma, o saber divino é saber sem busca, sem dúvida, sem erro. Ele não precisa perguntar, investigar, comprovar. Ele simplesmente sabe.

E isso nos coloca no lugar que tanto esquecemos: o da humildade. Porque, por mais diplomas que tenhamos, não sabemos sequer qual será o próximo suspiro. Somos ignorantes da nossa própria respiração.

Entretanto, essa constatação não é motivo de desespero. Muito pelo contrário. É uma oportunidade. Porque, se há Alguém que sabe o que a terra guarda e o mar esconde, então há também sentido. Há direção. Há propósito — ainda que, por ora, nos escape.

Assim, ao invés de nos inquietarmos com o desconhecido, talvez devêssemos nos maravilhar diante dele. Não como quem desiste de compreender, mas como quem reconhece a beleza de confiar.

Em tempos de arrogância tecnológica, o sagrado nos recorda:

não há folha que caia sem que Alguém já tenha percebido seu trajeto.

E isso, meus caros, paz. Dá sentido. Dá chão.